quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

32 de Dezembro

É o primeiro dia do ano, deveria ter começado diferente... algo novo, fresco, sem a carga pesada do caminhão do ano. Considero todos os dias do ano como pequenas cargas a serem colocadas em um caminhão, de maneira que no final o caminhão está sobrecarregado, mas atingiu o seu destino e vai descarregar, e assim recomeça a sua estrada, pronto pra carregar mais 365 pequenas cargas. Mas no meu caso, especialmente neste ano, me parece que o fabricante do caminhão foi um grande filho da puta: havia um fundo falso, de maneira que haviam cargas colocadas lá antes de começar minha jornada do primeiro dia do ano.
Vamos encarar os fatos de vez: todo caminhão tem um fundo falso, mas a euforia da suposta devida entrega não nos faz perceber o peso extra que o caminhão tem. Cedo ou tarde ele ficará sobrecarregado.
O ano passado, que foi há apenas 15 minutos, teve cargas bem pesadas de maneira geral. O que fode com minha cabeça é o porquê de não ter percebido o fundo falso, sendo que ponho todas as cargas no caminhão manualmente.
Agora, sentado na beirada da cama de um hotel meia estrela (daria uma se saísse algo ao menos parecido com água em vez de um líquido rosado e denso que me lembra dipirona sódica sabor framboesa vomitada), com vista pro beco e um cheiro de mijo humano que me dá pena até dos ratos - se eles pudessem falar com certeza diriam que a existência humana tem seu lado bom: aliviados, diriam: "achava que era imundo, ainda bem que existem humanos, me sinto melhor" e eu concordaria com cada palavra dos meus amigos roedores -, me canso, de uma vez por todas, de encher o caminhão de novo. Se eu fizer isso, as cargas do fundo falso nunca irão sair, e sempre haverá um peso extra que comprometerá seriamente o funcionamento do veículo. Porra, porquê continuo recolhendo dias encaixotados se tenho uma mercadoria da qual teria que ter me livrado há tempos?
De repente uma peça cai do nada pra matar a charada: a culpa não foi do fabricante, mas minha! Aquele fundo falso foi feito para medidas de emergência, quando precisasse guardar algo que deveria descarregar posteriormente, como caixas que não estavam completamente cheias. Eu havia me preocupado tanto com as ordinárias 365 cargas que havia me esquecido que em épocas eu não descarreguei exatamente 365 dias, de modo que os reservei no fundo falso. Que idiotice, porra! Como posso carregar outras cargas sem ter descarregado as antigas?
De repente fica claro que não preciso carregar 365 cargas, apenas me obrigo porque os outros fazem. Não queria parecer relapso. Há cargas que são tão pequenas que não farão diferença alguma em certos anos ao passo em que há outras que farão diferença, mas são complicadas e é conveniente que sejam colocadas onde não se possa ver, como se o caminhão fosse resistir a uma sobrecarga. No final tudo vira um problema.
Agora sou um motorista que anda pela estrada sem saber onde e como descarregar aquilo que deixei passar. Me custou pra perceber que os fogos de artifício não queimariam algo que não coloquei para que fosse explodido junto com aquelas velhas cores novas. A carga só pesa porque confiei na leveza do novo sem ter dispensado o peso do velho.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O epílogo do sono


Dormir é um transporte pra um estágio de total liberdade mental. Quando se dorme, sonhando mais especificamente, não há limites físicos/espaciais.

Uma vez que se dorme não há grandes preocupações, problemas simplesmente desaparecem e o tempo é inexistente. Mas depois acordamos. O fato de acordar me faz perguntar se a morte não é o máximo de liberdade que podemos alcançar, embora não estejamos conscientes disso. Deve ser porque a liberdade é tanta que sequer merece ser percebida.
Costumava conversar sobre o universo com dois amigos e percebi que me interesso pelo assunto. Enfim, dormir é como se fosse um universo particular, mas como só estamos cientes da existência de um universo e apenas imaginamos que hajam outros universos (teoria das cordas e teoria M). Não percebemos os outros universos, apenas estipulamos. Logo, a morte seria esse mesmo "jogo": estipulamos o que possa haver após a morte e eu prefiro acreditar que há um rompimento tamanho de limitações e barreiras que temos enquanto vivos que sequer pode-se perceber, o que não significa que não esteja lá.
Isso tudo evidencia nossa limitação enquanto seres existentes, é a prova máxima de que somos minúsculos.
Quero deixar claro que falar da morte não quer dizer que seja necessariamente algo triste, simplesmente abordei uma nova perspectiva sobre o assunto.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cansei de pensar em título

Cansei de forçar minha natureza pra me tornar uma pessoa mais sociável e acabar por plastificar minhas expressões em público.

Cansei dessa timidez que cresce ao passo que vejo o quão pessoas podem ser idiotas que se sentem no topo de alguma hierarquia.

Cansei de sorrir sem graça pra esconder meu desconforto pra não tirar o conforto dos brincalhões, pois eles são egoístas demais pra deixar de rir do incômodo que causam.

Cansei de hormônios que querem me intimidar, no final todos são "só mais um e a fila anda" - cansei de criticar isso também, que a putaria reine.

Cansei de tentar descobrir o que há de errado em querer ficar só quando solidão = liberdade.

Cansei de escrever revoltinhas de otário nesse blog porque agora já não estou mais revoltado e em breve deletarei esse post (ou não).

domingo, 13 de dezembro de 2009

Medo (ir)racional


A racionalidade é parte intríseca parte da humanidade, o que lamento até certo ponto. Admiro muito a capacidade da humanidade de modificar o ambiente, ao mesmo passo em que desprezo o fato de que utilizam dessa capacidade de maneira tão banal a ponto de achar que tudo gira em torno do nosso telencéfalo desenvolvido.

Não adianta vestir com diferentes roupas, colocar piercings e/ou fazer tatuagens. No final, quando tiramos a roupa, nos deparamos com o nosso maior medo inconsciente: somos animais. Aliás, ser chamado de "animal", dependendo do contexto, é algo extremamente ofensivo.

Pode achar ruim o quanto for, mas você tem mamilos, pêlos, um órgão sexual e um ânus. Achar um absurdo quando alguém diz que sente certas vontades só demonstra o medo de admitir a sua animalidade.

Quando se vê uma mulher bonitona, sabe-se que ela faz as necessidades fisiológicas como qualquer outra pessoa, qualquer outro animal, mas tentar imaginar é algo, de forma geral, vago. Pensando bem, isso tem uma carga bem considerável de preciosismo, de que pessoas são seres superiores que não admitem a sujeira que cada um carrega.

Não vai adiantar, nem que se passe a vida toda nessa fantasia. Uma vez que se vira um cadáver, a indiferença dos vermes ao decompor um humano morto demonstra que somos apenas uma matéria orgânica, vulneráveis à dinâmica do mundo. A partir deste ponto, estamos, de uma vez por todas, sob a natureza. Não há evidência maior que essa.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Algumas vezes parece que tudo tende a alguma coisa pré-determinada. Não consigo ser tão social assim e, quanto mais exercito minha socialização, menos honesto comigo mesmo sou - não quero realmente me socializar, mas a conveniência me esmaga como se fosse um filho da puta nem aí pisando numa formiga que tava trabalhando pra manter a ordem na sua vida e contribuir para o equilíbrio do formigueiro.
Por outro lado, tudo que vejo me desagrada em algum ponto e acabo me desestimulando pra continuar meu processo de maior socialização. Faca de dois gumes.

Estamos involuntariamente atados a criar plasticidade em nossas expressões. Criamos um carrasco e damos os instrumentos de tortura e a chave de uma cela escura - enfiamos a faca na nossa espontaneidade e sangramos obrigações.

Essa postagem não vai ter um final legal, tampouco esclarecedor e muito menos consistente. Meu carrasco tá dormindo agora e esqueceu a cela aberta, posso me mover com mais liberdade por um tempo.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A liberdade
Desgraçada
Nunca será obtida

Luta-se por esta vida
Em busca do sopro do sentido
Enquanto a significância evapora

Em meio a tanto egoísmo
A morte, temida
É uma fiel companheira, estarrecida

Altruísta
Se preocupa com até quando vai minha vida
Sempre me quer

Nada em troca
No final
É ela quem realmente se importa

- finalmente aprendi a fazer poemas mais curtos sem perder a essência do que quero passar. Ainda não tenho título e sugestões são bem-vindas.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eterna queda livre

Em certos momentos a vida é como se fosse uma eterna queda livre: quando se cai sempre se espera o fim da queda, a solidez do chão, a concretização do final. Porém, numa eterna queda livre o chão nunca vem. Tudo que resta é a expectativa, frustrada, de um dia o solo tocar.

Há momentos em que tudo está indo de maneira inesperada, no mal sentido, até que se tange um limite de tolerância e tudo que se espera é a passagem desses momentos. Mas os momentos parecem não ser momentos, e sim uma eterna queda livre. O rumo do seu corpo durante a queda pode mudar, mas nunca haverá conclusão. Então a queda não há lógica. Não precisa haver lógica, mas sempre a esperamos, demasiados humanos que somos.

A pancada da queda ensina para que na próxima se saiba como cair. Mas numa queda livre eterna, é a primeira e última - não há aprendizado, apenas expectativa. E no final é o que acaba tendo o impacto mais violento.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Menos Sensatez

Números, preciso deles
Necessito incessantemente de crescimento
Megalomania descontrolada
Mais... dê-me mais

Dois, três bifes
Quatro, cinco mulheres
Dez, quinze garrafas
Vinte, quarenta maços

Quero mais, ininterruptamente
Não indague, apenas saia
Variáveis negativas não existem
Minha vida é uma progressão de números

Tenho dois pulmões
Sugam milhões de toxinas e as exalam
Infecto todos ao redor
O que mais alguém quer?

Tenho um cérebro
Com ele consigo dominar vários outros
Não culpem-me por ser abençoado
Minha santidade demanda, não sou desgraçado

Arruíno minha vida
Mas não é o bastante, é apenas uma vida
Mais... é só o que peço
Se for detido, não posso conseguir mais
Então trato de acabar com outras vidas disfarçadamente
Uso couro, de bichos inúteis me alimento e faço da mulher objeto; desigualdade ostento

Faço da hierarquia minha mania
Assim nunca descobrirão...
Se outros fazem, então eu também devo
Sempre correndo por mais
A vida é curta e não quero estragá-la jamais



- poema feito por mim. A abordagem não é lá grandes coisas, mas eu gostei.

sábado, 21 de novembro de 2009

"As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar. São coisas das quais você se envergonha, pois as palavras as diminuem - as palavras reduzem as coisas que pareciam ilimitáveis quando estavam dentro de você à mera dimensão normal quando são reveladas. Mas é mais que isso, não? As coisas mais importantes estão muito perto de onde seu segredo está enterrado, como pontos de referência para um tesouro que seus inimigos adorariam roubar. E você pode fazer revelações que lhe são muito difíceis e as pessoas o olharem de maneira esquisita, sem entender nada do que você disse nem por que eram tão importantes que você quase chorou enquanto estava falando. Isso é pior, eu acho. Quando o segredo fica trancado lá dentro não por falta de um narrador, mas de alguém que compreenda."

Extraído do livro "Quatro Estações" de Stephen King

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pessimismo x Realismo

Me lembrei de uma discussão sobre pessimismo x realismo que vi há um tempo atrás. Como às vezes tendo a pensar as coisas com pessimismo, resolvi esclarecer certas coisas, até pra mim mesmo. As argumentações dos pessimistas é que ao observar as tendências deduzem que vão pro lado ruim. Verdade em muitos casos, inclusive quando se trata da relação humano x natureza. Porém, deduzir algo não significa que seja imutável. A pessoa que leva um estilo de vida estático afirmando que nada irá mudar está sendo pessimista, e não realista. Um realista é sensato e sabe que depende-se do presente para mudar a realidade do futuro. Assumir que coisas irão acontecer por causa da tendência é uma justificativa para não se fazer nada, logo se está fragmentando a visão realista a fim de justificar a visão pessimista. Isso se trata de comodismo. Um indivíduo acomodado busca argumentos para não sair da sua zona de conforto, logo leva sua vida pensando apenas em seu bem-estar, pois após morrer não há mais preocupações: seu mundo acabou. Antropocentrismo. Egoísmo.

Como vegetariano, por exemplo, luto pra que algo mude com relação à maior libertação animal possível (ou total). Confesso que agora isso é utópico, e tende a ser até quando eu morrer. Isso não quer dizer que eu tenha que me conformar - o fim da minha vida marca o fim do mundo para mim e ninguém mais. É demasiadamente egocêntrico resumir o mundo em sua vida.

A partir do momento em que há reclamações e sinais de desconforto diante de qualquer que seja o segmento da situação mundial e em contraponto pensa-se que a situação é imutável, fica mais que claro que se trata de comodismo, uma razão para exercitar o autoconvencimento para que se permaneça na posição de modo de vida estático. O fato de a realidade incomodar já faz com que almeje-se uma mudança. A realidade é dinâmica, pode mudar. Se o ponto de ótica for puramente realista não se pode considerar que a realidade é imutável, pois acatando esse pensamento, estaria-se adotando a postura pessimista por excelência, procurando justificativas pra não sair da zona de conforto que é a vida sem modificações, por vezes bruscas.

Ser realista é ótimo para manter os pés no chão, o que não significa que não se possa andar nesse chão. A mudança não aparece, se constrói.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sapiência = fardo

Nesse último Domingo (15/11) e Segunda (16/11) prestei Vestibular pra UFBA (Universidade Federal da Bahia). Na verdade, já tinha me arrependido bem antes de o dia chegar - não havia me preparado, pois estava em outra faculdade e simplesmente não tive interesse em repassar o assunto do Ensino Médio todo de novo. Mas isso é história pra outra ocasião.

Se não me engano, desde 2007 que me pego questionando sobre a utilidade do conhecimento escolar/acadêmico. No Ensino Médio, especificamente no terceiro ano, via pessoas querendo passar por cima de outras, no sentido de querer provar que são mais inteligentes. Foi o começo das minhas indagações: por quê toda essa necessidade de querer mostrar que sabe alguma coisa, como se o conhecimento, puro, fosse algo pra se gabar?
Desde quando entender/absorver/memorizar um fato histórico, o pensamento de uma teoria da Física, fórmulas matemáticas, reações químicas etc. faz alguém inteligente? Pra mim isso é conhecimento puro, algo que, apesar de básico para alcançar a inteligência, não significa nada - saber de alguma coisa não significa que você será capaz de criar. E é aí que meu ponto se justifica: pra mim a capacidade de criar algo é inteligência. Einstein, por exemplo mais cliché que seja, era inteligente MAS nem tanto - ele usou de teorias já criadas por Newton, que só estudavam o que acontecia na Terra, e as transpôs pra um plano universal, pois percebeu que as leis também eram válidas no universo. Claro, estou falando de criações revolucionárias, que mudaram a concepção de uma geração e que perpetuaram-se até os dias atuais.
Agora, por quê uma pessoa que aprende todas essas coisas, passa num vestibular (qualquer - ou não) e, depois que conclui a faculdade, vive sua vida profissional sem inovações, apenas exercendo o que primordialmente a profissão proporciona é inteligente? Por quê um médico ordinário é inteligente? Porque ele passou em Medicina, que é um curso concorrido e nivelado?
Isso diz alguma coisa, realmente, além de essa pessoa ter um bom entendimento de conhecimentos passados apenas com o intuito de estar onde está agora, e nada mais? Isso diz que essa pessoa sabe viver? Será mesmo que um gari não tem mais experiência, conhecimento, de vida que um profissional da high society?

As pessoas, pela impressão que tenho, se apropriaram do conhecimento pra se exaltar - praticamente TODAS as pessoas. Claro que isso não surgiu do nada: desde pequenos somos estimulados a ser competitivos, a nos decepcionar com uma nota baixa. Aí chegamos no Ensino Médio e tudo isso vai se resumir em um teste. E é isso.
Na minha opinião, a Educação (talvez brasileira, talvez de países emergentes, ou talvez mundial [infelizmente não sei]) foi desvirtuada e serve apenas como um meio pra se conseguir algo: a tão almejada profissão! Professores, sobretudo de terceiro ano, se limitam apenas ao que o vestibular cobra.
Me lembro que, no ano passado, um professor de Matemática tava falando sobre algo que me interessou. Mas foi superficial, e ele afirmou que não se aprofundaria nisso porque "não cai em vestibular, não". E daí? Eu tava curioso pra saber, e até hoje não sei e agora acabei de perceber que sequer me lembro do que se tratava. Foi algo que me revoltou.

Outra coisa que me irrita de tudo isso é que o vestibular é muito maçante, sobretudo os vestibulares de universidades federais. Você estuda o ano inteiro, se prepara, vai dormir e acordar tenso no dia da prova. Lá você vai encontrar variados assuntos e alguns deles foram, durante toda a sua vida, empurrados goela abaixo.
Simplesmente, pra mim, há coisas que não me interessam, que eu não quero, nem preciso, saber. Tem certas coisas em que eu eventualmente não estaria in the mood pra pensar sobre.
Sem falar que pensar por obrigação é algo completamente desestimulante. Se até no que pensar você tem deveres, então você pode perder a perspectiva de liberdade completamente - o pensamento é a total abstração de deveres, ou deveria ser (pra mim o é). Acho que por isso que muitas pessoas tratam os estudos com desdém - simplesmente não suportam TER que pensar sobre algo em um momento pré-determinado pra um propósito pré-determinado cujo não se teve escolha, você simplesmente já nasceu com todo esse molde pronto.

Agora, a parte que faz jus ao título do post: acho que o saber humano, a sede por conhecimento, a necessidade por coisas inteligentes é nada mais nada menos, hoje em dia, e geralmente, pela busca de inovações na versatilidade da vida (artificial) humana.
Ou então pra consertar problemas. Então é necessário que se tenha grandes ambições, onde a mais audaciosa vai ser premiada (se assim for conveniente).
A moda agora é ser "verde", respeitável ao Meio Ambiente. Então é imprescindível que se busquem novas alternativas que ao mesmo tempo mantenham a versatilidade moderna e não maltratem o ambiente.
Particularmente, hoje acho necessária, sim, a ambição por conhecimento, porque só assim as pessoas vão se conscientizar e vão (tentar) mudar (ou não). Hoje, infelizmente, ignorar o conhecimento é algo idiota. Digo "infelizmente" porque é algo impositivo. Se você não tá nem aí, você só é um vagabundo pros outros, não representa nada no meio intelectual/profissional e provavelmente vai viver mal.

Tenho ambições de conhecimento pra poder lutar mais consistentemente pelo que acredito, pra poder analisar e argumentar através dos fatos, pra poder reformular meus pensamentos. Eu só tenho essas ambições porque as ambições megalomaníacas humanas fizeram do mundo a merda que é hoje que me deixa tão indignado em diversos aspectos. Se não fosse assim, se o mundo não fosse essa merda, se não tivesse com o que me revoltar, se o conhecimento existisse apenas por hobby, eu abriria mão de muitas coisas e não me sentiria nada mal sem grandes perspectivas. Sim, há pessoas sem perspectiva nenhuma, seja numa escala macro ou na micro, começando por sua própria vida. Mas, no meu caso, simplesmente não consigo ficar quieto e acomodado, apenas querendo meu emprego pra ganhar meu dinheiro, me aposentar e morrer. Seria só mais um. Não que eu pense coisas que vão de encontro ao pensamento comum das pessoas por achar que é cool ser contra-cultura. O fato de ser conformado, de resumir tudo à sua vida é até mais fácil. E às vezes até queria que conseguisse fazer isso, mas não consigo.

Quanto mais eu penso, quanto mais eu questiono, mais eu me contrario e até mesmo mais eu tendo a ver as coisas mais pessimistamente. Há pessoas que conseguem viver bem, sem se preocupar com nada e às vezes eu queria ser assim, me pouparia de muito e eu "aproveitaria" a vida, ou que eu acharia que seria aproveitar a vida. Eu nunca saberia, pois nunca pensaria o que realmente a vida tem pra me oferecer, além de baladas, bebidas, ficadas e sexo indiscriminado com o máximo de gostosas que conseguisse.
Por vezes acho que pensar (refletir) é um fardo. Uma vez que acontece, os pensamentos não param de te seguir.