Me lembrei de uma discussão sobre pessimismo x realismo que vi há um tempo atrás. Como às vezes tendo a pensar as coisas com pessimismo, resolvi esclarecer certas coisas, até pra mim mesmo. As argumentações dos pessimistas é que ao observar as tendências deduzem que vão pro lado ruim. Verdade em muitos casos, inclusive quando se trata da relação humano x natureza. Porém, deduzir algo não significa que seja imutável. A pessoa que leva um estilo de vida estático afirmando que nada irá mudar está sendo pessimista, e não realista. Um realista é sensato e sabe que depende-se do presente para mudar a realidade do futuro. Assumir que coisas irão acontecer por causa da tendência é uma justificativa para não se fazer nada, logo se está fragmentando a visão realista a fim de justificar a visão pessimista. Isso se trata de comodismo. Um indivíduo acomodado busca argumentos para não sair da sua zona de conforto, logo leva sua vida pensando apenas em seu bem-estar, pois após morrer não há mais preocupações: seu mundo acabou. Antropocentrismo. Egoísmo.
Como vegetariano, por exemplo, luto pra que algo mude com relação à maior libertação animal possível (ou total). Confesso que agora isso é utópico, e tende a ser até quando eu morrer. Isso não quer dizer que eu tenha que me conformar - o fim da minha vida marca o fim do mundo para mim e ninguém mais. É demasiadamente egocêntrico resumir o mundo em sua vida.
A partir do momento em que há reclamações e sinais de desconforto diante de qualquer que seja o segmento da situação mundial e em contraponto pensa-se que a situação é imutável, fica mais que claro que se trata de comodismo, uma razão para exercitar o autoconvencimento para que se permaneça na posição de modo de vida estático. O fato de a realidade incomodar já faz com que almeje-se uma mudança. A realidade é dinâmica, pode mudar. Se o ponto de ótica for puramente realista não se pode considerar que a realidade é imutável, pois acatando esse pensamento, estaria-se adotando a postura pessimista por excelência, procurando justificativas pra não sair da zona de conforto que é a vida sem modificações, por vezes bruscas.
Ser realista é ótimo para manter os pés no chão, o que não significa que não se possa andar nesse chão. A mudança não aparece, se constrói.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
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Hélio,a dorei o texto, concordo com cada linha do que você escreveu.
ResponderExcluir"Ser vegetariano [ou "do contra" em geral] não vai levar a nada, isso é utopia, é só uma carnezinha", "é tão bom comer carne", esse tipo de argumento é o que mais ouvimos, apesar das razões que apresentamos para a mudança alimentar em prol dos animais e do meio ambiente.
Comodismo para votar, comodismo para não se manifestar contra corrupções do governo; comodismo até para não ser corrupto no dia-a-dia...
Tanto comodismo, tanta inércia, que não me choca que a maioria das pessoas apliquem essa tática para não encararem a realidade. Preferem o churrasco no domingo e o bife à milanesa ao invés de repensar as atitudes e pôr em prática a empatia que - em uma ótica rousseauniana* - , todos temos, é algo inerente a nós.
Parabéns pelo blog, já etsá nos favoritos.
carpe diem
*é assim mesmo que se escreve?
É importante seguir o ideal e fugir do comodismo, porém tem um ponto que acho importante citar que é a resistência para viver na vida.
ResponderExcluirMinha experiência de vida me ensinou o quanto o caos é inerente a vida, partindo do princípio de que a morte também é, e todos os males derivam do medo da morte.
Uma pessoa por si só pode adquirir determinado controle e disciplina com a finalidade de distanciar-se desse caos maligno, porém quando o número de pessoas aumenta, a dificuldade de controle coletivo aumenta também.
E é próprio do ser humano viver em sociedade, como os elefantes, os búfalos e os leões.
Sou do tipo que bambea entre a lamentação e o ativismo.
TCHAU