Nesse último Domingo (15/11) e Segunda (16/11) prestei Vestibular pra UFBA (Universidade Federal da Bahia). Na verdade, já tinha me arrependido bem antes de o dia chegar - não havia me preparado, pois estava em outra faculdade e simplesmente não tive interesse em repassar o assunto do Ensino Médio todo de novo. Mas isso é história pra outra ocasião.
Se não me engano, desde 2007 que me pego questionando sobre a utilidade do conhecimento escolar/acadêmico. No Ensino Médio, especificamente no terceiro ano, via pessoas querendo passar por cima de outras, no sentido de querer provar que são mais inteligentes. Foi o começo das minhas indagações: por quê toda essa necessidade de querer mostrar que sabe alguma coisa, como se o conhecimento, puro, fosse algo pra se gabar?
Desde quando entender/absorver/memorizar um fato histórico, o pensamento de uma teoria da Física, fórmulas matemáticas, reações químicas etc. faz alguém inteligente? Pra mim isso é conhecimento puro, algo que, apesar de básico para alcançar a inteligência, não significa nada - saber de alguma coisa não significa que você será capaz de criar. E é aí que meu ponto se justifica: pra mim a capacidade de criar algo é inteligência. Einstein, por exemplo mais cliché que seja, era inteligente MAS nem tanto - ele usou de teorias já criadas por Newton, que só estudavam o que acontecia na Terra, e as transpôs pra um plano universal, pois percebeu que as leis também eram válidas no universo. Claro, estou falando de criações revolucionárias, que mudaram a concepção de uma geração e que perpetuaram-se até os dias atuais.
Agora, por quê uma pessoa que aprende todas essas coisas, passa num vestibular (qualquer - ou não) e, depois que conclui a faculdade, vive sua vida profissional sem inovações, apenas exercendo o que primordialmente a profissão proporciona é inteligente? Por quê um médico ordinário é inteligente? Porque ele passou em Medicina, que é um curso concorrido e nivelado?
Isso diz alguma coisa, realmente, além de essa pessoa ter um bom entendimento de conhecimentos passados apenas com o intuito de estar onde está agora, e nada mais? Isso diz que essa pessoa sabe viver? Será mesmo que um gari não tem mais experiência, conhecimento, de vida que um profissional da high society?
As pessoas, pela impressão que tenho, se apropriaram do conhecimento pra se exaltar - praticamente TODAS as pessoas. Claro que isso não surgiu do nada: desde pequenos somos estimulados a ser competitivos, a nos decepcionar com uma nota baixa. Aí chegamos no Ensino Médio e tudo isso vai se resumir em um teste. E é isso.
Na minha opinião, a Educação (talvez brasileira, talvez de países emergentes, ou talvez mundial [infelizmente não sei]) foi desvirtuada e serve apenas como um meio pra se conseguir algo: a tão almejada profissão! Professores, sobretudo de terceiro ano, se limitam apenas ao que o vestibular cobra.
Me lembro que, no ano passado, um professor de Matemática tava falando sobre algo que me interessou. Mas foi superficial, e ele afirmou que não se aprofundaria nisso porque "não cai em vestibular, não". E daí? Eu tava curioso pra saber, e até hoje não sei e agora acabei de perceber que sequer me lembro do que se tratava. Foi algo que me revoltou.
Outra coisa que me irrita de tudo isso é que o vestibular é muito maçante, sobretudo os vestibulares de universidades federais. Você estuda o ano inteiro, se prepara, vai dormir e acordar tenso no dia da prova. Lá você vai encontrar variados assuntos e alguns deles foram, durante toda a sua vida, empurrados goela abaixo.
Simplesmente, pra mim, há coisas que não me interessam, que eu não quero, nem preciso, saber. Tem certas coisas em que eu eventualmente não estaria in the mood pra pensar sobre.
Sem falar que pensar por obrigação é algo completamente desestimulante. Se até no que pensar você tem deveres, então você pode perder a perspectiva de liberdade completamente - o pensamento é a total abstração de deveres, ou deveria ser (pra mim o é). Acho que por isso que muitas pessoas tratam os estudos com desdém - simplesmente não suportam TER que pensar sobre algo em um momento pré-determinado pra um propósito pré-determinado cujo não se teve escolha, você simplesmente já nasceu com todo esse molde pronto.
Agora, a parte que faz jus ao título do post: acho que o saber humano, a sede por conhecimento, a necessidade por coisas inteligentes é nada mais nada menos, hoje em dia, e geralmente, pela busca de inovações na versatilidade da vida (artificial) humana.
Ou então pra consertar problemas. Então é necessário que se tenha grandes ambições, onde a mais audaciosa vai ser premiada (se assim for conveniente).
A moda agora é ser "verde", respeitável ao Meio Ambiente. Então é imprescindível que se busquem novas alternativas que ao mesmo tempo mantenham a versatilidade moderna e não maltratem o ambiente.
Particularmente, hoje acho necessária, sim, a ambição por conhecimento, porque só assim as pessoas vão se conscientizar e vão (tentar) mudar (ou não). Hoje, infelizmente, ignorar o conhecimento é algo idiota. Digo "infelizmente" porque é algo impositivo. Se você não tá nem aí, você só é um vagabundo pros outros, não representa nada no meio intelectual/profissional e provavelmente vai viver mal.
Tenho ambições de conhecimento pra poder lutar mais consistentemente pelo que acredito, pra poder analisar e argumentar através dos fatos, pra poder reformular meus pensamentos. Eu só tenho essas ambições porque as ambições megalomaníacas humanas fizeram do mundo a merda que é hoje que me deixa tão indignado em diversos aspectos. Se não fosse assim, se o mundo não fosse essa merda, se não tivesse com o que me revoltar, se o conhecimento existisse apenas por hobby, eu abriria mão de muitas coisas e não me sentiria nada mal sem grandes perspectivas. Sim, há pessoas sem perspectiva nenhuma, seja numa escala macro ou na micro, começando por sua própria vida. Mas, no meu caso, simplesmente não consigo ficar quieto e acomodado, apenas querendo meu emprego pra ganhar meu dinheiro, me aposentar e morrer. Seria só mais um. Não que eu pense coisas que vão de encontro ao pensamento comum das pessoas por achar que é cool ser contra-cultura. O fato de ser conformado, de resumir tudo à sua vida é até mais fácil. E às vezes até queria que conseguisse fazer isso, mas não consigo.
Quanto mais eu penso, quanto mais eu questiono, mais eu me contrario e até mesmo mais eu tendo a ver as coisas mais pessimistamente. Há pessoas que conseguem viver bem, sem se preocupar com nada e às vezes eu queria ser assim, me pouparia de muito e eu "aproveitaria" a vida, ou que eu acharia que seria aproveitar a vida. Eu nunca saberia, pois nunca pensaria o que realmente a vida tem pra me oferecer, além de baladas, bebidas, ficadas e sexo indiscriminado com o máximo de gostosas que conseguisse.
Por vezes acho que pensar (refletir) é um fardo. Uma vez que acontece, os pensamentos não param de te seguir.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
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Concerteza oque você disse é verdade. you said the truth.sapiência é um fardo.
ResponderExcluirCara, quanto à isso, vou postar uma letra que acho que traduz quase tudo que penso sobre isso.
ResponderExcluir"I've never wanted to admit the absolute and to its no absolution. THAT WITH MUCH KNOWLEDGE COMES MUCH ANGUISH. that privity becomes Pandora''s plague. it is the iodine that indelibly stains. It is a lupus that disseminates and infects our being from the day we are born. Never will I sleep again until I''ve plundered every chapter and ripped out every page. I will slash and burn and salt the earth so that nothing will grow."
Isso é Assück. E o blog tá legal, não tá desorganizado não.
Rapaz... isso meio que me lembrou tanto "Vigiar e Punir" de Foucault quanto, e sobretudo, "A Crítica da Razão Indolente" de Boaventura de Sousa Santos.
ResponderExcluirEnfim, é isso aí. Acho que a humanidade se perdeu com a metodologia, se esqueceu do fim das coisas, e por isso é que as coisas andam como estão.
Até nossas mentes - que deveriam nos libertar - foram empacotadas e estão à venda no mercado capitalista.
ResponderExcluirEstude para ter um emprego e para ganhar dinheiro. Estude para consumir. Aliás, acumule conhecimentos e não reflita, porque reflexão é liberdade [e um fardo, paradoxalmente]. E liberdade deve ser um sonho distante para os escravos do sistema.
Ninguém comenta no meu blog! Sacana!
ResponderExcluirisso me lembra Rubem Alves, no livro O Enigma da Religião, ao argumentar sobre a perca do subjetivismo ante o objetivismo capitalista. E eu penso assim também. Essas pessoas não descobrem o prazer do conhecimento para si em decorrência da vaidade de sentir-se superior ao outro pelo fato de ter uma merda de uma bagagem de informações inúteis (utilidade terá apenas para fazê-las tão somente como mais uma peça da máquina de produção em massa). Leia um dos artigos dele sobre a Escola da Ponte www.rubemalves.com.br/escoladaponte1.htm
ResponderExcluirFuderoso esse post.
ResponderExcluirAs vezes a gente pensa muito a respeito disso. Somos forçados, de certa forma, a querer o que todo mundo quer e ser como todo mundo é, levando em consideração o melhor modelo, claro. Se vc se desvia um pouco disso, aí ja viu..