sábado, 20 de fevereiro de 2010

010390

Poucas e grandes coisas sempre farão falta na vida. A infância é uma dessas coisas, pra mim.
Quanto mais o tempo passa, e paro pra perceber essa passagem, sinto uma saturação nojenta, inquieta. A característica peculiar da espécie humana me tortura ao passo em que o tempo continua severo.

A inocência é impagável, o proveito que se tira dia como se não houvesse limite a não ser o próprio cansaço.

Quero ser pequeno, quero que as árvores sejam grandes e um desafio, extremamente convidativas, me desafiando a escalá-las.

Quero tirar o peso da responsabilidade que não pedi das minhas costas.

Quero brigar esquizofrenicamente com inimigos imaginários.

Quero não desenvolver metas, deixando a noite que se aproxima me lembrar de que há um amanhã.

Quero me deitar com os cachorros numa manhã fria.

Quero não fazer idéia da minha limitação.

Quero nunca sair do meu mundo.

Quero viver e ter medo da morte.

A morte, quero o direito de que esse seja meu fim absoluto, o jazir permanente da consciência.

2 comentários:

  1. muito bueno, parabéns. senti o que sentiu.

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  2. Provavelmente você não checa isso aqui. Mas, como eu estou na dúvida se você checa seu orkut não me custa nada tentar mandar uma mensagem.
    Tentei te mandar algumas pelo orkut, mas não creio que alguma tenha chegado... Sou apenas alguém que se interessa pelos mesmos gostos que você, ou ao menos em parte e que se encantou com seu texto. Gostei da sua forma de escrever e em muito seus pensamentos se assemelham com os meus.
    Se um dia ver essa mensagem, responda. É tão difícil achar gente interessante hoje em dia que a perspectiva de você ser uma dessas pessoas me empolga.

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